Quantos passos são necessários para prevenir o diabetes?

Sabemos que o número de casos de diabetes aumenta de forma significativa a cada ano. Um em cada cinco casos recém diagnosticados está entre adultos com mais de 65 anos, 95% dos quais são diagnosticados como tipo 2.

Os adultos mais velhos que desenvolvem diabetes correm maior risco de complicações, incluindo doença arterial cardiovascular e periférica, pior função renal e hipoglicemia grave ou fatal.

Sendo assim, estamos sempre à procura de mudanças que possam impactar positivamente nesse cenário.

O sedentarismo é fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento de diabetes. Mas, será que há um número de passos por dia que podemos estabelecer como ideal para que estejamos protegidos?

Um estudo publicado em janeiro de 2022 avaliou quase 5000 mulheres idosas por um período de até 6,9 anos.

Estas mulheres – sem diagnóstico prévio de diabetes – usaram acelerômetros para que fossem feitas medidas do número de passos totais ao dia e de sua intensidade (leve ou de moderada a vigorosa).

O objetivo primário foi avaliar a associação entre o total de passos por dia e a incidência de diabetes e o secundário avaliar se havia relação com a intensidade e/ou cadência destes passos.

Em média, os participantes realizaram 3.729 passos por dia, sendo 1.875 passos leves e 1.854 passos de intensidade moderada à vigorosa.

Mais passos por dia foram associados a uma menor taxa de risco de incidência de diabetes. Após avaliação, concluiu-se que um aumento de 2.000 passos/dia produziu taxa de risco 12% menor.

Além disso, esta relação de passos por dia e diabetes não foi modificada por idade, raça-etnia, IMC, capacidade funcional ou histórico familiar de diabetes, o que apoia a generalização desses achados para mulheres idosas que vivem na comunidade.

Nas análises, descobrimos que a proteção relacionada aos passos medidos pelo acelerômetro por dia e diabetes foi mais forte para atividades moderadas a intensas do que para caminhadas leves.

Esse achado apoia as evidências emergentes de que alguma atividade física regularmente é melhor do que nenhuma e que se mover mais e em maior intensidade é ideal para reduzir o risco de diabetes, independentemente da idade.

Em quatro outros estudos transversais de adultos (com média de 55 a 65 anos), os investigadores descobriram que mais passos por dia também estavam associados a menores chances de diabetes e síndrome metabólica, menor circunferência da cintura e menores medidas de glicose de 2h.

Além disso, os resultados de um estudo prospectivo com o uso de um pedômetro Omron com acompanhamento de 5 anos entre 458 adultos de meia-idade na Austrália mostraram que mais 1.000 passos por dia estavam associados a chances 13% menores de pré diabetes.

Estes achados estão de acordo com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde de 2020 sobre atividade física de que alguma atividade regular é melhor do que nenhuma e que mover-se mais e em maior intensidade é ideal para melhorar os resultados de saúde.

É bem sabido que a intervenção intensa no estilo de vida pode retardar ou prevenir o diabetes, especialmente quando a intervenção inclui modificação também da dieta.

E, embora haja limitações no estudo, as evidências demonstram que a caminhada regular é um importante fator protetor. Certamente mais passos por dia levam à menor incidência de diabetes e os passos de maior intensidade estão ainda mais fortemente associados à diminuição deste risco.

Este estudo nos deixa duas grandes lições: Mexa-se! – mesmo pequenos movimentos já nos trazem proteção – e, por fim,  nunca é tarde para começar uma atividade física!

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Texto baseado no artigo Associations of daily steps and step intensity with incident diabetes in a prospective cohort study of older women: the OPACH study, Bellettiere, J et al, Diabetes Care, 2022, 45:339-347.

Adaptado por Roberta Portugal Henriques Maggini, Médica Endocrinologista e Certificada em Medicina do Estilo de Vida.

Dra. Roberta Portugal

Médica formada pela UFF (Universidade Federal Fluminense). Residência Médica em Clínica Médica pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e em Endocrinologia e Endocrinologia Pediátrica pelo IEDE (Instituto Estadual de Endocrinologia e Metabologia). Certificada em Medicina do Estilo de Vida pelo International Board of LifeStyle Medicine (IBLM). Instagram: @drarobertaportugal www.drarobertaportugal.com.br

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