Você já ouviu falar sobre Disruptores endócrinos?

Mesmo que você nunca ouviu falar sobre Desreguladores ou Disruptores Endócrinos (DE), pode ter certeza que já teve contanto com algum deles na sua vida. Pois os DE são substâncias muito comuns em produtos do nosso dia-a-dia como: maquiagem, esmaltes, cosméticos em geral, produtos de limpeza, plástico, panelas de alumínio e teflon, aditivos alimentares, embalagens, pesticidas, agrotóxicos, dentre tantos outros….

A preocupação vem aumentando com essas substâncias, pois a cada dia vemos mais estudos apontando vários danos à saúde e ao meio ambiente que esses compostos podem causar.

Os desreguladores endócrinos constituem um problema de saúde global e estão presentes em praticamente todos os ambientes (em casa, no trabalho, no campo, no ar, nos alimentos, na água). Eles também podem ser transferidos da gestante ao feto através da placenta, ou para o lactente através do leite materno.

Os disruptores endócrinos, mesmo em baixas doses, agem no nosso organismo alterando o funcionamento do sistema endócrino (hormonal) humano ou de outros animais podendo trazer vários problemas de saúde. Estas substâncias imitam ou interferem com a síntese, secreção, transporte, ligação, ação ou eliminação de hormônios no organismo. Eles podem interferir na regulação do crescimento e desenvolvimento corporal, metabolismo, reprodução, imunidade e comportamento.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a exposição aos disruptores endócrinos ao longo do tempo está associada a várias doenças e problemas de saúde, como:

  • No sistema reprodutivo/endocrinológico: obesidade, diabetes mellitus, infertilidade, puberdade precoce, menopausa precoce, câncer de mama e próstata, endometriose, doenças da tireoide, má formação fetal, …
  • No sistema imune: suscetibilidade a infecções, doenças autoimunes;
  • No sistema cardiopulmonar: asma, doenças cardíacas, hipertensão, infarto;
  • No sistema nervoso central: Doença de Parkinson, Doença de Alzheimer, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), dificuldades de aprendizado.

Os períodos da vida mais vulneráveis à ação dos desreguladores endócrinos são: a infância, gestação, lactação, período da concepção. Esses momentos da vida são considerados períodos críticos do desenvolvimento embrionário e, essa exposição pode provocar mudanças permanentes na expressão dos genes.

Alguns exemplos comuns de desreguladores endócrinos incluem:

  • DDT e outros pesticidas
  • Ftalatos (plasticos e vários cosméticos);
  • Bisfenol A, F e S (lacas, vernizes, revestimentos, adesivos, plásticos, canos de água, selantes dentários, embalagens de alimentos, DVDs, computadores, eletrodomésticos, revestimentos para latas de comida e bebida, mamadeiras, brinquedos, talheres descartáveis, papéis de impressão térmica, entre outros.);
  • Benzeno (plásticos, lubrificantes, borrachas, tintas, detergentes, medicamentos, agrotóxicos);
  • Parabenos (conservantes em produtos cosméticos e de higiene pessoal);
  • Chumbo e outros metais pesados como: mercúrio, cádmio,.. (ar, solo e água);
  • Arsênio (alimentos, água e ar);
  • Triclosan (antisséptico encontrado em vários produtos como: sabonetes, pastas de dente, sabonetes bactericidas, desodorantes, sabão para lavar roupas, antissépticos, perfumes e muito mais.);
  • Tolueno (gasolina, colas, tintas, removedores, agentes de limpeza, fumaça de cigarro e cosméticos);
  • Fitoesteróides presentes na soja

Além desses já conhecidos, suspeita-se da existência de inúmeros outros desreguladores endócrinos ou de substâncias químicas que nunca foram testadas.

Vou dar um destaque especial para o plástico, pois em 100 anos de produção de plástico no mundo, mais de 50% foi realizada nos últimos 20 anos. Vinte e dois milhões de toneladas de plástico são descartadas na natureza por ano em todo o mundo. Com a pandemia, a quantidade de lixo plástico aumentou vertiginosamente. A gravidade da situação levou 175 países da ONU a aprovarem, recentemente, um tratado inédito, que combate o plástico descartável.

A preocupação com o plástico, que está disseminado na cultura moderna, foi intensificada recentemente com o resultado de uma pesquisa realizada por holandeses que detectou pela primeira vez a presença de fragmentos de plástico no sangue de seres humanos. Os tipos encontrados são principalmente aqueles usados nas garrafas pet, em embalagens de alimentos e em sacolas plásticas. Antes disso, já foi detectado micropartículas de plástico dentro do nosso pulmão por pesquisadores da Faculdade de medicina da USP.

Assustadores esses dados, não é mesmo?

E você leitor, deve estar se perguntando como fazer para se proteger desses inimigos, muitas vezes invisível. Vai ai algumas medidas que podem reduzir a exposição aos DE no seu dia-a-dia:

  • Evitar uso de pesticidas na sua casa ou no quintal;
  • Preferir alimentos orgânicos livres de agrotóxicos;
  • Reduzir a ingesta de alimentos processados, alimentos vendidos em embalagens plásticas e de alumínio;
  • Evitar o consumo de vísceras e fígado no primeiro ano de vida;
  • Gestantes devem evitar o contato e a inalação de produtos químicos;
  • Não aquecer potes de plástico em micro-ondas,
  • Não usar recipientes de plástico nos extremos de temperatura (frio ou quente)
  • Conservar os alimentos na geladeira ou freezer em embalagens de vidro.
  • Preferir comprar produtos vendidos em embalagens de vidro.
  • Evitar consumir água e refrigerantes vendidos em garrafas pets.
  • Use produtos de plástico com o selo “BPA free”
  • Não usar copos/utensílios descartáveis para aquele cafezinho no trabalho.
  • Evite tocar nas notas de caixas ou de máquinas de cartão de crédito impressas em papel térmico;
  • Evite fumar ou conviver com fumantes (exposição ao cádmio entre outros);
  • Cuidado com cosméticos: cremes hidratantes, desodorantes, protetores solares e outros produtos de higiene pessoal (dê preferência aos sem parabenos, chumbo).
  • Prefira produtos de higiene pessoal ou de limpeza sem fragrância;
  • Fique atento aos produtos cosméticos, especialmente aos infantis, sempre ler o rótulo procurando identificar presença de possíveis DE.
  • Evitar esmaltes e maquiagens na infância. Caso use prefira as “infantis” e sempre ler a lista de substâncias.
  • Evitar panelas de alumínios e teflon, preferir panelas e aço inox, ferro, pedra, vidro ou cerâmica.
  • Reciclar embalagens plásticas.

Mais informações sobres os disruptores endócrinos você encontra em:

https://www.endocrino.org.br/media/uploads/PDFs/ipen-intro-edc-v1_9h-pt-print.pdf

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/trabalhador/pdf/texto_disruptores.pdf

Dra. Andréa Cunha

Médica Endocrinologista e Metabologista CRMMG 34.892 RQE 11314 Certificada em Medicina do Estilo de Vida Instagram: @draandreacunha

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