A importância da aceitação nos casos de dor crônica

Dor é uma experiência sensitiva e emocional desagradável relacionada a uma lesão real ou potencial em nosso corpo. A dor crônica é aquela que persiste por um período igual ou maior há três meses. É um sintoma subjetivo que depende das experiências de vida de cada pessoa. A ocorrência de dor está cada dia maior e é uma das principais queixas nos atendimentos médicos, causando um grande comprometimento nas atividades da vida diária e profissionais das pessoas afetadas, sendo considerado como um problema de saúde publica mundial.

As causas são multifatoriais e os fatores psicológicos desempenham um papel fundamental, podendo provocar ou exacerbar problemas, como ansiedade ou depressão, muitas vezes sendo difícil diferenciar entre causa e efeito.

A dor crônica provoca vários sintomas associados, como cansaço físico, alteração no sono, constipação intestinal, diminuição ou aumento do apetite, que se desenvolvem gradualmente, trazendo graves prejuízos psicológicos e socias.

Geralmente as pessoas que sofrem de dor crônica tendem a ter comportamentos que evitam o desencadeamento do quadro doloroso, mas é muito importante entender que o repouso prolongado ou a menor mobilidade do corpo estão associados a uma maior intensidade da dor, aumentando a ansiedade e depressão, levando a limitação funcional e laboral. Esses comportamentos são considerados mecanismos perpetuadores da dor crônica.

O tratamento deve ser sempre com uma equipe multiprofissional. As abordagens compartimentais devem ter como objetivos principais uma maior aceitação da dor, aumentar o envolvimento com as atividades da vida diária e do limiar de dor do indivíduo. O paciente deve entender a importância de melhorar a sua função, mesmo que não apresente uma redução no nível da dor que seja significativa para ele. Várias técnicas cognitivas-comportamentais podem ser úteis, melhorando a qualidade de vida dos pacientes. A terapia de aceitação e compromisso é uma variante da terapia cognitivo-comportamental e atribui um trabalho fundamental a flexibilidade psicológica na busca de objetivos e motivações pessoais, que estabeleçam mudanças comportamentais relevantes e duradouras.  

Um estudo publicado em agosto de 2020 na Noruega, avaliou em 365 mulheres com fibromialgia que uma maior aceitação da dor está associada a um aumento no nível de função nas atividades diárias, menor nível doloroso e dos outros sintomas associados ao longo do tempo, demonstrando o impacto positivo da aceitação da dor na função e sintomas em pacientes com fibromialgia, assim como demonstrado em outros estudos com pacientes com dor crônica. Reforçando a importância de terapias com intervenções relacionadas a aceitação como alvo terapêutico.

O conhecimento dos pacientes e todos os profissionais da saúde sobre o potente efeito positivo da aceitação da dor é fundamental no tratamento, focando nas mudanças do estilo de vida e comportamentais que façam sentido, sejam significativas e duradouras.

 

Fonte:

Tangen, SF, Helvik, AS, Eide, H, Fors, EA. Pain acceptance and its impacto n function and symptoms im fibromyalgia. Scandinavian Journal of Pain2020;20:727-36. doi.org/10.1515/sjpain-2020-0049

Dra. Viviane Porangaba

Dra. Viviane Porangaba. Médica Fisiatra. Membro da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação. Médica Fisiatra do Centro Especializado de Reabilitação da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas. Mestre em Ciências da Saúde pela UFAL. Certificação em Medicina do Estilo de Vida pelo Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo e Vida e American College of Lifestyle Medicine. Instagram: @dravivianeporangaba

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