Ficar em um pé só: brincadeira de criança ou avaliação médica?

Envelhecer está associado a um declínio progressivo da nossa capacidade física com dificuldades e redução não só do nosso desempenho aeróbico, mas também de força, alongamento, equilíbrio e composição corporal.

Também já é bem estabelecido que a obesidade sarcopênica (obesidade acompanhada por pouca massa magra) e a perda de flexibilidade e equilíbrio são prejudiciais para a saúde como um todo, predispondo os idosos a quedas e sequelas médicas adversas.

O equilíbrio tende a se manter relativamente preservado até a sexta década de vida, quando começa a apresentar um declínio significativo.

Apesar destes dados acima, o equilíbrio não é rotineiramente avaliado nos indivíduos de meia idade ou idosos e uma ferramenta simples e sem custo foi testada para esta finalidade.

Um estudo avaliou a capacidade 1.702 indivíduos (68% homens) com idade entre 51 e 75 anos de ficarem de pé com o apoio de uma única perna por 10 segundos. Eram permitidas três tentativas e os indivíduos eram classificados como aptos ou não de permanecerem nesta posição (em qualquer perna) mantendo os cotovelos estendidos, os braços ao longo do corpo e o olhar num ponto fixo ao nível dos olhos e a 2m de distância.

Os indivíduos foram acompanhados entre 2008 e 2020 e as curvas de sobrevida e risco de morte avaliadas de acordo com a capacidade ou incapacidade de completar o teste.

O resultado demonstra que a inabilidade de completar o teste está relacionada à maior mortalidade por todas as causas e, consequentemente, à menor expectativa de vida.

Por se tratar de um teste de fácil realização e sem custo, seria bastante interessante incorporá-lo às avaliações clínicas dos indivíduos de meia idade e idosos.

Talvez assim, possamos prevenir o adoecimento e a mortalidade de inúmeras pessoas, com recomendações para melhora da sua capacidade física.

E você, já fez seu teste? Consegue ficar 10 segundos nesta posição?

*Texto baseado no artigo Successful 10-second one-legged stance performance predicts survival in middle-aged and older individuals – Araujo CG et al, Br J Sports Med 2022;0:1-7. doi:10.1136/bjsorts-2021-105360

**Devemos lembrar que para realizar este teste em casa, alguém deverá permanecer ao lado do indivíduo para supervisionar e ajudar a prevenir quedas caso haja desequilíbrio.

Dra. Roberta Portugal

Médica formada pela UFF (Universidade Federal Fluminense). Residência Médica em Clínica Médica pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e em Endocrinologia e Endocrinologia Pediátrica pelo IEDE (Instituto Estadual de Endocrinologia e Metabologia). Certificada em Medicina do Estilo de Vida pelo International Board of LifeStyle Medicine (IBLM). Instagram: @drarobertaportugal www.drarobertaportugal.com.br

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