O estilo de vida é a melhor prevenção para o risco de suicídio.

O mês de setembro chegou e logo se iniciam as campanhas do setembro amarelo, que fala sobre a importância da prevenção do risco de suicídio. Nos últimos anos houve um aumento crescente no interesse da relação do estilo vida, aspectos psicossociais, doenças mentais graves e risco de suicídio. Vários comportamentos, incluindo tabagismo, consumo de álcool e sedentarismo, estão associados ao aumento de risco de suicídio em todas as faixas etárias. Todos esses comportamentos estão associados ao risco de doenças cardiometabólicas e problemas de saúde mental, prejudicando as conexões sociais, o que leva ao aumento do risco de suicídio.

     Os aspectos psicossociais, como satisfação com a vida, problemas econômicos, ambiente familiar e de trabalho, abuso de álcool, condições médicas de saúde, baixo peso ou obesidade, tabagismo, sedentarismo, alimentação, são considerados fatores de risco para transtornos mentais graves e de suicídio. Estudos demonstram que pacientes psiquiátricos, com doenças como esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, entre outras, têm taxa de mortalidade e suicídio aumentada em comparação com a população em geral.

     O suicídio é descrito como uma construção multifatorial, relacionados a sintomas psiquiátricos, condições médicas de saúde e estilo de vida. Satisfação com a vida e bem estar psicossocial são indicadores importantes para a saúde mental, levando a um comportamento saudável, como alimentação de qualidade, sono adequado, atividade física regular, evitando tabagismo e limitando o consumo de álcool.

     Comportamentos de estilo de vida e intervenções especificas para cada um deles, podem interferir em diferentes fases da vida:

Adolescentes:

     Estudos mostram que de 10-20% dos jovens sofrem de transtornos mentais, associados com níveis elevados de ansiedade, estresse, depressão, anorexia ou bulimia nervosa, vícios em jogos e internet (sujeitos a uma rede social artificial e cyberbullying), conflitos familiares e baixo desempenho escolar, levando a um consumo excessivo de bebidas energéticas e álcool, tabagismo, uso de drogas ilícitas, más hábitos alimentares, sedentarismo e alteração do sono.  Tudo leva ao jovem a um sentimento de fracasso, automutilação e ideação suicida.

Adultos:

     Estudos demonstram que pacientes com padrão alimentar de baixa qualidade, baixo peso ou obesidade, falta de atividades física ou esportivas, má condicionamento físico, tabagismo, consumo de álcool excessivo, morar sozinho, problemas no trabalho ou familiares, relações interpessoais pobres, desemprego, dívidas, dificuldades financeiras, estresse, insatisfação com a vida, são todos comportamentos que levam a diminuição na transmissão de serotonina, neurotransmissor implicado na fisiopatologia do transtorno de ansiedade generalizado, depressão e aumento do risco de suicídio.

Idosos:

     Mais de 20% das pessoas acima de 60 anos apresentam transtorno psiquiátrico ou distúrbio neurológico, como a depressão e demência respectivamente. Quadros de dor crônica e doenças que causam limitações físicas e perda de independência funcional, diagnóstico de câncer, uso de hipnóticos, pobre interação social, perda de um parente próximo ou viuvez e solidão, são fatores de riscos para depressão e suicídio. Já o bem estar, ter razões para viver, metas pessoais, boa interação social, autoestima, senso de pertencer, fé, estimulam o idoso a ter uma dieta balanceada, boa qualidade do sono, que além dos efeitos positivos na condição de saúde também têm um efeito protetor ao suicídio.  

     Demostrado essa relação forte, complexa e multifatorial entre o estilo de vida, as deficiências mentais, transtornos psiquiátricos graves e risco de suicídio em diferentes estágios da vida, se faz indispensável e urgente, melhorar esses compartimentos, como fatores de proteção para reduzir o risco de suicídio. Não menospreze o mínimo sinal de tristeza ou outras alterações de humor que persistam por muitos dias. Procure ajuda de um profissional de saúde da sua confiança e conte tudo que está sentindo!

Fonte: Berardelli I, Corigliano V, Hawkins M, Comparelli A, Erbuto D, Pompili M. Lifestyle Interventions and Prevention of Suicide. Frontiers in Psychiatry (2018).  9: 1-10. doi.org/10.3389/fpsyt.2018.00567

Editado por Dra Viviane Porangaba. Médica Fisiatra e certificação em Medicina do Estilo de Vida. Instagram: @dravivianeporangaba

Dra. Viviane Porangaba

Dra. Viviane Porangaba. Médica Fisiatra. Membro da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação. Médica Fisiatra do Centro Especializado de Reabilitação da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas. Mestre em Ciências da Saúde pela UFAL. Certificação em Medicina do Estilo de Vida pelo Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo e Vida e American College of Lifestyle Medicine. Instagram: @dravivianeporangaba

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