Como o otimismo pode causar impacto na sua saúde?

Você se considera uma pessoa otimista ou pessimista? Você sabia que essa característica pode impactar muito na sua saúde? 

Otimismo disposicional é a tendência relativamente estável de esperar bons resultados em domínios importantes da vida. Sendo assim, avaliar o otimismo é semelhante a avaliar expectativas. Para isso, uma abordagem amplamente usada é a de nos perguntarmos se geralmente esperamos que coisas boas ou ruins nos aconteçam no futuro, o que é explorado através de testes validados de orientação para a vida (TOV-R), ferramenta que embasou estudos aqui reunidos sobre o otimismo. 

O bem-estar subjetivo é transferido para a biologia. Por exemplo, vários estudos comprovam que pessoas pessimistas têm maiores níveis de pressão arterial sistólica e diastólica, maior risco de obesidade, síndrome metabólica, níveis elevados de açúcar no sangue, excesso de gordura abdominal e níveis elevados de colesterol, o que está intimamente relacionado com eventos cardiovasculares (infarto, AVC) e diabetes. 

O pessimismo já foi associado com vários marcadores biológicos inflamatórios, que aumentam o risco de doenças crônicas, enquanto que alto nível de otimismo foi associado ao aumento da imunidade.

Um estudo de pacientes submetidos a revascularização do miocárdio cujo nível de otimismo foi rastreado durante a recuperação revelou uma relação protetora de um alto nível de otimismo com menor risco de reinternação em 6 meses após o procedimento. Quando estudado a respeito da progressão da aterosclerose, o maior nível de otimismo se mostrou com menor progressão da espessura de artérias como as carótidas, mesmo quando controlados estilo de vida, fatores biológicos e uso e medicações.

Em outros estudos mais longos, pessoas otimistas eram menos propensas a desenvolver novos casos de doença cardíaca coronariana, com menor probabilidade de morte por esta causa e por todas as causas. O pessimismo, por sua vez, mostrou-se associado ao aumento da mortalidade por causas específicas como doenças cardíacas, câncer, acidente vascular cerebral, doenças respiratórias e infecções. Outros dados revelaram uma dose-resposta entre otimismo e insuficiência cardíaca. Pacientes otimistas mostraram 48% menos chances de insuficiência cardíaca em comparação com os que tinham menores níveis de otimismo. Além disso, o otimismo já foi associado a uma melhor cicatrização de feridas, e é também um bom preditor de uma gestação saudável e do sucesso de uma fertilização in vitro. 

Por que o comportamento em saúde dos pessimistas e otimistas são diferentes?

Pessoas otimistas sobre o eventual sucesso continuam tentando, mesmo quando as coisas estão difíceis. Já pessoas que duvidam do futuro são menos propensas a tomarem medidas que possam tornar esse futuro mais positivo, e também são mais propensas a se envolverem com pensamentos dispersos, empregar-se em distrações temporárias e simplesmente desistir. 

Os otimistas são mais propensos que os pessimistas a tomar medidas que possam desacelerar a progressão de doenças, influenciando na maior adesão de atividade física, redução dos níveis de gordura saturada, gordura corporal e redução do índice de risco cardiovascular geral. Pessoas otimistas são mais propensas a se envolverem em enfrentamento proativo e portanto, a maior promoção da saúde com menos comportamentos prejudiciais à saúde.

Otimismo e relacionamentos

Pessoas otimistas são mais satisfeitas em seus relacionamentos e relatam maior apoio social do que os pessimistas, prevendo uma maior resiliência ao desenvolvimento da solidão.  Como seres sociáveis  já é clara a relação entre a saúde física,  felicidade, bem-estar e o cultivo de relacionamentos saudáveis. 

Pessoas podem se tornar otimistas?

Se você não se considera otimista e está percebendo como isso pode interferir na sua saúde, não se preocupe, além de existirem ferramentas da Psicologia Positiva e terapias cognitivo comportamentais que ajudam a treinar o seu cérebro para o otimismo, a tendência natural do ser humano é se tornar otimista ao longo do tempo. Um grupo de estudantes de direito de 20 a 30 anos, que foi acompanhado por 10 anos, se mostrou com otimismo ascendente ao longo do tempo. E a pontuação do TOV-R média para alunos de graduação foi significativamente menor que a de participantes de 70 anos, a depender de como ressignificam os eventos de natureza negativa ao longo da vida. 

Você se considera otimista? 

Fonte: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6309621/

Escrito por Dra. Mylla Carneiro – Médica Integrativa certificada em Medicina do Estilo de Vida

Instagram: @dramyllacarneiro

Dra. Mylla Carneiro

Médica pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Certificada em Medicina do Estilo de Vida pelo American College of Lifestyle Medicine (ACLM).

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