Você sabia que caminhar melhora sua memória?

Projeta-se que a incidência de demência dobrará a cada 20 anos. Assim, é urgente encontrar formas de reduzir o risco de declínio cognitivo.

A perda de substância branca é considerada um dos primeiros mecanismos associados à perda cognitiva do envelhecimento, precedendo a perda da substância cinzenta vista na Doença de Alzheimer.

Sabendo que esta perda pode ocorrer em períodos curtos como 6 meses em adultos idosos saudáveis, precisamos determinar se esta perda é ou não reversível.

Foi realizado um estudo com duração de 24 semanas em 247 idosos (68% mulheres) divididos em grupos randomizados e controlados para avaliação dos efeitos do exercício aeróbico na performance cognitiva e na saúde cerebral.

Os indivíduos foram divididos em 3 grupos:

  1. Controle ativo: exercícios que melhoravam flexibilidade, força e equilíbrio.
  2. Caminhada: Exercícios para melhorar o desempenho cardiometabólico 3 vezes na semana por cerca de 40 minutos.
  3. Dança: este grupo foi desenvolvido para fornecer melhora cognitiva e social combinada com atividade física aeróbica, treinando danças e coreografias.

Foram realizadas avaliações das habilidades cognitivas, da aptidão aeróbica e de exames de Ressonância Magnética de crânio antes e depois das intervenções.

Para muitos dos participantes, seus corpos e cérebros mudaram, descobriram os cientistas: os caminhantes e dançarinos estavam aerobicamente mais aptos, como esperado. Ainda mais importante, sua matéria branca parecia renovada. Nos novos exames, as fibras nervosas em certas partes do cérebro pareciam maiores e qualquer lesão de tecido havia encolhido. Essas alterações desejáveis ​​foram mais prevalentes entre os que caminharam, que também tiveram melhor desempenho nos testes de memória que os dançarinos, em geral. Estas alterações não foram percebidas no grupo dos exercícios de alongamento e equilíbrio.

Estes resultados sugerem que a substância branca do cérebro adulto retém a plasticidade em regiões vulneráveis e que estas mudanças podem ser observadas numa escala de curto prazo. Nos indivíduos sedentários, a substância tende a se desgastar e encolher.

As descobertas ressaltam o dinamismo de nossos cérebros e como eles se transformam constantemente – para melhor e para pior – em resposta a como vivemos e nos movemos.

Estas descobertas nos dão ainda mais motivos além de todos os benefícios já conhecidos para fazermos exercícios. Você já começou a se exercitar? Comece hoje mesmo a colocar mais movimento na sua vida!

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Texto escrito por Dra. Roberta Portugal – endocrinologista certificada em medicina do estilo de vida.

Inspirada no artigo White matter plasticity in healthy older adults: The effects of aerobic exercise, Burzynska, A Z et al, Neuroimage 239 (2021)

@drarobertaportugal (https://www.instagram.com/drarobertaportugal/)

http://www.drarobertaportugal.com.br

Dra. Roberta Portugal

Médica formada pela UFF (Universidade Federal Fluminense). Residência Médica em Clínica Médica pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e em Endocrinologia e Endocrinologia Pediátrica pelo IEDE (Instituto Estadual de Endocrinologia e Metabologia). Certificada em Medicina do Estilo de Vida pelo International Board of LifeStyle Medicine (IBLM).

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