6 Dicas fundamentais para quem tem ou quer evitar a Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson é uma das doenças neurológicas mais comuns, afetando cerca de 1% das pessoas com mais de 60 anos de idade. É uma doença neurodegenerativa progressiva caracterizada pelo acúmulo de proteínas anormais no sistema nervoso, chamadas alfa-sinucleínas, que se agregam formando corpúsculos de Lewy, causando dano aos neurônios e redução da produção de dopamina.

Embora sua causa ainda não seja completamente compreendida, atualmente se entende que resulta de uma complexa interação  de fatores que incluem exposição a toxinas ambientais, disbiose intestinal e aumento da permeabilidade intestinal, sendo considerada uma doença inflamatória, cujas alterações ocorrem muito tempo antes do surgimento dos sintomas.

Uma dessas alterações é a constipação intestinal. Você já ouviu falar que o intestino é o nosso segundo cérebro, não é? Pois temos aqui um grande exemplo.  Sabe-se que grande parte da dopamina é produzida no intestino, e a redução de dopamina no intestino diminui a velocidade do trânsito intestinal, ocasionando constipação, que precede os sintomas motores da Doença de Parkinson em vários anos em até 80% dos casos.  A redução da dopamina também torna o intestino mais frágil, aumentando a permeabilidade a toxinas, microorganismos e partículas mal-digeridas dos alimentos.

Associado a isso, o padrão de dieta “ocidental”, rico em alimentos processados, açúcar e adoçantes, favorece o crescimento de bactérias desfavoráveis no intestino, que poduzem substâncias tóxicas que, em um intestino inflamado, acabam sendo absorvidas e circulam pela corrente sanguínea, inflamando o restante do corpo. Além disso, é importante a contribuição de poluentes presentes na água não filtrada, utensílios, recipientes, produtos de limpeza e higiene e nos alimentos, principalmente pesticidas e herbicidas (agroquímicos ou agrotóxicos).

Dessa forma, aqui vai a primeira orientação, válida tanto para quem já tem a Doença de Parkinson, quanto para quem deseja evitá-la:  

  1. Escolha alimentos integrais, vegetais, de preferência orgânicos e livres de pesticidas.

Alimentos vegetais são ricos em fibras e flavonoides, substâncias pré-bióticas que favorecem o crescimento de bactérias benéficas à saúde, além de terem poder anti-oxidante, combatendo a inflamação excessiva.

Como comentamos acima, a Doença de Parkinson está associada a elevado consumo de carboidratos refinados e adoçantes, alimentos inflamatórios, e geralmente há grande perda de massa muscular em quem tem a doença, prejudicando muito a manutenção da força, do equilíbrio e da independência funcional. Assim, aqui vai a segunda orientação alimentar:

2. Garanta consumo de quantidade adequada de proteínas, principalmente de origem vegetal, orgânicas, livres de pesticidas.

Aqui vale uma observação. Alimentos cárneos, incluindo peixes, devem ser vistos com muito cuidado, porque, apesar de conterem proteína, podem conter elevado teor de toxinas e metais pesados. Da mesma forma, alimentos com elevado teor de gorduras, como leite, queijos, frituras, etc, podem favorecer o acúmulo de toxinas lipossolúveis (que ficam armazenadas na gordura corporal). Muitas vezes é necessário utilizar suplementos ou restrições alimentares, então:

3. Mantenha acompanhamento conjunto com profissionais da área médica e da nutrição, pois muitas vezes é necessário suplementar algumas substâncias, como Proteínas, Vitamina B12, B2, B6, Vitamina D, Coenzima Q10, N-acetilcisteína e Ômega 3. Intolerâncias alimentares também devem ser identificadas e tratadas, para reduzir a inflamação intestinal.

Essa avaliação deve ser feita por profissionais e as recomendações devem ser individualizadas para cada paciente.

4. Movimente-se!

Os estudos científicos mostram melhora significativa na função motora, equilíbrio, memória, cognição, depressão, insônia, dor e qualidade de vida com a prática de atividade física regular, pelo menos 150 minutos de atividade moderada ou 75 minutos de atividade intensa por semana. As atividades devem envolver exercícios de força, aeróbicos e de flexibilidade. Atividades como Yoga,Tai Chi e dança apresentaram grande benefício adicional na coordenação motora e no planejamento.

5. Durma bem!

Dormir bem pode ser um grande desafio para quem tem Doença de Parkinson, pois vários distúrbios do sono podem co-existir, tornando a noite inquieta. Mas existem tratamentos e estratégias para melhorar a qualidade do sono. Um sono restaurador também auxilia a restaurar os níveis de dopamina no cérebro para o dia seguinte.

6. Aprenda a controlar o estresse

O estresse excessivo também é tóxico para o cérebro, alterando a comunicação química dos neurônios, levando à inflamação que está na base do surgimento de sintomas de ansiedade e depressão, falhas da memória e também dos sintomas motores. Geralmente os portadores da Doença de Parkinson tem uma personalidade bastante rígida, auto-exigente, e sofrem muito com o estresse. Invista em desenvolver habilidades de autocompaixão, amor, serenidade e descompressão, aprendendo a viver com gratidão, amor e humor, mesmo quando as coisas (incluindo seus próprios movimentos) estão fora do seu controle.

Mais do que uma doença motora, a Doença de Parkinson é uma doença sistêmica, afetando todo o organismo. Assim também, seu tratamento, além do uso de medicamentos, deve abranger todo o estilo de vida, desde a alimentação até as horas de sono, pois há cada vez mais evidências de quanto o estilo de vida contribui para a prevenção e o tratamento, retardando a progressão e manifestação dos sintomas.

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Inspirada no artigo “Nutrition and Lifestyle Interventions for Managing Parkinson’s Disease: A Narrative Review”, publicado no Journal of Movement Disorders 2020

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7280935/pdf/jmd-20006.pdf

Dra. Ellen D. A. Lessa

Médica Clínica e Geriatra, Certificada em Medicina do Estilo de Vida pelo IBLM / CBMEV Instagram: @dra.ellen.lessa

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