Alimentos ultraprocessados e a sua saúde

Os alimentos podem ser classificados em categorias de acordo com o nível de processamento desde sua colheita (ou retirada da natureza) até seu consumo (saiba mais sobre como diferenciar os alimentos entre in natura, minimamente processados, processados e ultraprocessados no novo episódio do podcast do Healthier Diary).

Os Alimentos ultraprocessados são tipicamente aqueles densos em calorias e pobres e nutrientes. Frequentemente são ricos em sódio, açúcar, gorduras trans e saturadas e aditivos químicos.

Também costumam ser pobres em micronutrientes e fibras, sendo, não por acaso, muitas vezes chamados de calorias vazias.

São alimentos como refrigerantes, cereais de café da manhã e batatas fritas industrializadas.

Estudo publicado em março de 2021 no Jornal do Colégio Americano Cardiologia incluiu um grupo com mais de 3.000 indivíduos, sem história de doença cardiovascular, que foi acompanhado por um período médio de 20,2 anos e avaliado através de questionários de frequência alimentar.

Em média, os participantes deste grupo (de Framingham Offspring Cohort) consumiram 7,5 porções de alimentos ultraprocessados por dia.

O aumento na ingestão de 01 porção destes alimentos acima da média (das 7,5 porções) resultou no aumento de risco cardiovascular, do risco de doença coronariana e de mortalidade por doença cardiovascular em 7%, 9% e 9%, respectivamente.

Neste estudo, temos como pontos fortes o longo tempo de acompanhamento, a avaliação rigorosa dos resultados e a exclusão dos indivíduos que já tinham doença cardiovascular.

Além disso, ter utilizado a classificação dos alimentos ultraprocessados e não um tipo isolado de alimento também pode ser considerado um ponto importante do estudo já que esta classificação é utilizada em numerosos estudos e reconhecida pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

E sabendo destes fatos, como poderemos modificar as escolhas alimentares individuais?

Este é um longo trabalho que passa por transformações nas políticas públicas, na implementação de programas educacionais, nas propagandas e rotulagem dos alimentos, e na facilitação do acesso aos alimentos menos processados.

Mas conhecimento é poder! E em face destes dados, a meta é dificultar a escolha dos alimentos ultraprocessados e transformar as escolhas mais saudáveis nas escolhas mais fáceis!

Fonte: https://doi.org/10.1016/j.jacc.202102.003

Dra. Roberta Portugal

Médica formada pela UFF (Universidade Federal Fluminense). Residência Médica em Clínica Médica pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e em Endocrinologia e Endocrinologia Pediátrica pelo IEDE (Instituto Estadual de Endocrinologia e Metabologia). Certificada em Medicina do Estilo de Vida pelo International Board of LifeStyle Medicine (IBLM). Instagram: @drarobertaportugal www.drarobertaportugal.com.br

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