QUER SE PROTEGER DO DIABETES? COMA MAIS FRUTAS!

Diabetes Mellitus tipo 2

O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é caracterizado por uma diminuição na secreção de insulina e resistência à ação da mesma. É responsável por 2 milhões de mortes no ano e é a 7ª causa mundial de incapacidades.

Hoje há cerca de 451 milhões de diabéticos no mundo e a estimativa é de que sejam 693 milhões até 2015, existindo uma necessidade urgente de encontramos estratégias baseadas em evidências científicas que possam prevenir o desenvolvimento do DM2.

Com números tão grandes, como podemos nos proteger?

Grandes evidências demonstram que a promoção de uma dieta saudável e atividade física podem diminuir o risco de DM2.

Em particular, a ingestão de frutas esteve inversamente associada à incidência de DM2 em três grandes estudos observacionais e o consumo de 2 porções de frutas por dia (seguindo as Diretrizes Dietéticas Australianas) foi associado a um risco 32% menor de DM2 ao longo de 12 anos. Estes dados sugerem que se estas recomendações fossem seguidas, poder-se-ia ter evitado 23% dos casos de DM2.

Um novo estudo australiano publicado neste mês de junho de 2021 avaliou 7675 indivíduos com questionários alimentares, medidas de tolerância à glicose e de sensibilidade à insulina correlacionando o consumo das frutas com a chance de se ter diabetes durante o período de acompanhamento.

O estudo incluiu homens (45%) e mulheres (55%) com idade média de 54 anos no início da avaliação e a ingestão de frutas foi inversamente associada à resistência insulínica.

Frutas são protetoras

Em comparação com o grupo que ingeria menos frutas, o grupo com ingestão moderada teve 36% menos chance de desenvolver diabetes em 5 anos, concluindo que uma dieta pode desempenhar papel importante na mitigação do risco de DM2.

Há estudos de associação inversa de DM2 com frutas variadas: mirtilos, uvas, maçãs, peras… Neste estudo relatado, a associação foi com maçãs, bananas, laranjas e outras frutas cítricas.

Os mecanismos que sustentam os efeitos benéficos das frutas na regulação da glicose e no risco de diabetes são provavelmente múltiplos: além de sua baixa caloria, a maioria das frutas normalmente tem uma carga glicêmica baixa e são ricas em fibras, vitaminas, minerais e fitoquímicos.

O mecanismo potencial mais provável é a existência das fibras – tanto as fibras insolúveis quanto as solúveis melhoram o controle glicêmico e aumentam a saciedade. Evidências recentes ainda sugerem que mais benefícios podem ser obtidos com a fermentação de fibras solúveis pelo microbioma intestinal, aumentando a produção de ácidos graxos de cadeia curta, que demonstraram modular o metabolismo da glicose.

Além disso, muitas frutas são ricas em flavonóides que melhoram a sensibilidade à insulina e reduzem a inflamação muscular e o estresse oxidativo.

Sucos de fruta não apresentam proteção

Este resultado protetor não acontece com o consumo de suco de frutas. Há, inclusive, uma associação positiva entre o consumo de suco de frutas e DM2 relatada anteriormente. Uma ingestão maior de uma porção por dia de suco de frutas foi associada a um risco 10% maior de DM2 após o ajuste para adiposidade e variações intrapessoais.

Consuma mais frutas inteiras

Em conclusão, o incentivo ao consumo de frutas inteiras, mas não do suco de frutas pode preservar a sensibilidade à insulina e mitigar o risco de DM2.

Promover uma dieta saudável e um estilo de vida que inclua o consumo de frutas populares como maçãs, bananas e laranjas, com ampla disponibilidade geográfica, podem diminuir a incidência de DM2.

Moramos num país tropical, com uma variedade enorme de frutas e facilidade de acesso às mesmas. Estudos como este demonstram a necessidade de colorirmos nosso prato para que tenhamos uma vida mais saudável!

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Texto escrito por Dra. Roberta Portugal – endocrinologista certificada em medicina do estilo de vida.

Inspirada no artigo Associations Between Fruit Intake and Risk of Diabetes in the AusDiab Cohort, JCEM 2021, Vol XX, 1-12.

Instagram: @drarobertaportugal

http://www.drarobertaportugal.com.br

Dra. Roberta Portugal

Médica formada pela UFF (Universidade Federal Fluminense). Residência Médica em Clínica Médica pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e em Endocrinologia e Endocrinologia Pediátrica pelo IEDE (Instituto Estadual de Endocrinologia e Metabologia). Certificada em Medicina do Estilo de Vida pelo International Board of LifeStyle Medicine (IBLM).

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